Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 191
Ano:2009
O livro de Mariana M. Chaguri enfrenta a difícil tarefa de compreender o modo pelo qual a forma literária capta o ritmo geral da sociedade. 0 objeto de sua análise e o Ciclo da Cana-de- Açúcar de Jose Lins do Rego. Aceitando a formula de Auerbach, aborda os romances que o compõem em relação a seu tempo e em meio a seu lugar; ainda, busca explicá-los através da peculiaridade de seu autor. Narrador e narrativa constituem-se em urn peç:o da história.
No caminho inverso daquele trilhado muitas vezes pela sociologia, a autora não utiliza os romances como simples documentos que ilustram a realidade social, mas procura apreender a maneira como os elementos sociais encontram urn arranjo no plano ficcional.
Texto e contexto aparecem articulados a partir do enfrentamento de duas tempo-ralidades: o tempo referido na narrativa e o tempo vivido pelo narrador. A partir desse duplo movimento aponta como passado e presente estão imbricados. Acompanhando o desenrolar dos romances mostra várias facetas dessa articulação. Primeiramente, como a socialização do menino ocorre num processo que não se descola do engenho. Depois, como entra na narrativa o elemento central - 0 drama da decadência. Enquanto o primeiro passo se constitui em urn apelo a memória para a descrição da infância, o segundo avança no sentido de compreensão da história.
Com a descrição do itinerário do autor, suas relações, sua vivência intelectual, a autora reconstitui o ambiente do florescimento do romance regionalista, urn momento importante da literatura brasileira.
- Elide Rugai Bastos Junho de 2009.
O leitor encontra neste ensaio de Mariana Chaguri uma contribuição das mais expressivas para compreender o universo literário de Jose Lins do Rego. E isto não apenas porque a autora deslinda, com recursos que aliam pesquisa cerrada e intuição criadora, os temas mais vivos hoje no centro da fortuna critica do autor do Menino de engenho. Mas, sobretudo, porque o curso leve de sua escrita, inteiramente avesso ao pesado jargão do discurso acadêmico, refaz com elegância e clareza o controverso itinerário do escritor, desde a fase inicial das disputas, no Recife, entre regionalistas e futuristas, ainda sob a influência intelectual do mestre Gilberto Freyre, até a fase da merecida consagração literária, já no Rio de Janeiro, quando se transforma numa estrela de ponta do célebre catálogo da Editora Jose Olympio. Com a novidade de que, entre um momenta e outro, o ensaio vai re-iluminando as projeções da memória, desdobrada a partir da ficção, mas tambem da história, - a das idéias e a do homem, - coisa que poucas vezes; como aqui, se pode ver tão bem desenvolvida, seja na crônica de Lins do Rego, seja na articulação de sua narrativa ficcional, seja ainda nos temas ainda pouco visitados de seu legado critico.
Antônio Arnoni Prado
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS 111
Capítulo 1
Os anos 20 no Recife: Regionalismo, Modernismo e José Lins do Rego 21
Gilberto Freyre e José Lins do Rego: Modernismo 30
José Lins do Rego, cronista 42
Regionalismo como crítica ao Modernismo 52
Capítulo 2
O Romancista José Lins do Rego, as editoras e a crítica literária 61
O romancista chega ao Rio de Janeiro: editoras e reconversão social. 61
A José Olympio Editora chega ao Rio de Janeiro 65
Biografia, memória e ficção: a crítica literária contemporânea a José Lins do Rego 76
Capítulo 3
O narrador e a narrativa: os romances do ciclo da cana-de-açúcar 87
Forma literária e processo social no Ciclo da Cana-de Açúcar 88
Menino de engenho: o Santa Rosa a partir do olhar do menino 90
O menino vai ao colégio: Carlinhos torna-se Doidinho que se torna Carlos de Melo 97
Dr.Carlos de Melo retorna ao Santa Rosa: a decadência do Banguê e a morte de José Paulino 102
O Santa Rosa torna-se Usina 111
O engenho está de Fogo Morto: decadência e acesso à terra na Várzea nordestina 122
Mestre Amaro e o acesso à terra 124
A decadência do Santa fé 133
Do Engenho Santa Rosa à Usina Bom Jesus 141
Notas 145
Bibliografia 179
Anexo Iconográfico 187