Formato: 16 x 23cm
Páginas: 260
Ano: 2009
Dedicada a historicidade das ciencias da vida, esta obra aborda de forma criativa temas centrais para o debate cientifico e politico contemporâneo, como o que ocorre em torno das novas elaborações dos conceitos de norma, vida, morte e informação. A partir de uma perspectiva filosófica forte mente inspirada pelos textos de Michel Foucault, Vera Portocarrero oferece ao leitor uma incursão sobre a história das ciências biomedicas, articulando saberes e praticas, ao mesmo tempo que busca sua inteligibilidade por meio da análise das lutas, estrategias e taticas, presentes em seu processo de constituição.
Além da arqueologia e da genealogia de Foucault, a epistemologia de Georges Canguilhem e outra importante contribuição teórica e metodológica a orientar 0 livro, que se pauta pela analise conceitual, histórica e descontinua das ciencias da vida. Em destaque, a ideia da descontinuidade histórica entre a história natural e a biologia, 0 pensamento da ordem e o da historicidade, a análise cartesiana e a critica kantiana, a noção de representação e a de vida e, ainda, entre poder antes da modernidade e poder disciplinar, com enfase na noção de 'biopoder', visto como um dos mais caracteristicos deste tempo.
Um dos pontos fortes da obra encontra-se na analise comparativa de autores que raramente são colocados em diálogo. Proximidades e distâncias são apontadas no que concerne às contribuições de Georges Canguilhem, Claire Salomont-Bayet, François Jacob e bruno Latour para o estudo do objeto da história das ciências. O mesmo ocorre quando a autora se dedica ao conceito de vida, principalmente no estudo que empreende sobre a constituiçãoda microbiologia, a partir de Pasteur, e suas implicações para o debate sobre vitalismo. Por fim, o leitor encontrará densa análise sobre a obra de Foucault, um dos temas a quem Vera Portocarrero vem se dedicando em suas pesquisas e que aqui se apresenta em sua complexidade e como uma da principais contribuições para o estudo, não apenas da biomedicina mas fundamentalmente das possibildades de constituição do saber moderno Nísia Trindade Lima
Pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz e editora científica da Editora Fiocruz.
Nem ciência nem história das ciências da vida. Este livro talvez mereça a credencial de uma segunda história - o nome não importa - aquela que investiga maneiras diversas de se descrever o nascimento da vida no Ocidente. Trata-se, principalmente, de mostrar as diferenças, as inflexões, os deslocamentos ocorridos no interior de uma mesma tradição historiográfica, cujo objeto é sempre o pensamento e, não, como se poderia acreditar, a existência humana. Um caleidoscópio, assinala Vera Portocarrero, das principais discussões acerca deste vasto campo do conhecimento da vida na modernidade. Metáfora oportuna, pois define o modo próprio de ser do livro todo, alheio a qualquer linearidade, ensaio, antes de tudo, mudança constante de perspecitivas. Entretanto, há, sem dúvida, um nível único, ou comum, de análise: o das formas de problematização da vida e das ciências da vida, a partir de pressupostos metodológicos comuns às histórias do pensamento na filosofia francesa contemporânea, ou, pelos menos complementares. O espaço espistemológico de As Ciências da Vida: de Canguilhem a Foucult é a historicidade da ciência, o conceito, o saber/poder, a verdade. Sua leitura me parece fundamental para compreender o acontecimento vida (bios) em nossa modernidade.
José Ternes
Professor titular de filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás e professor titular de filosofia ( aposentado) da Universidade Federal de Goiás
Sobre o autor(a)
Vera Portocarrero
Professora titular de filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, pesquisadora do Prociência /Faperj, doutora em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tradutora, organizadora e autora de diversos livros e artigos sobre filosofia e história da ciência, ética e filosofia política,entre outros: Filosofia, História e Sociologia das Ciências: abordagens contemporâneas (Fiocruz, 1994). Arquivos da Loucura (Fiocruz, 2002) e os Limites da vida: da biopolítica ao cuidado de si (em Cartografias de Foucault, Autêntica, 2008.
SUMÁRIO
Apresentação
Parte I- Filosofia, História e Ciências da Vida
1. Formas históricas de problematização 33
2. Conceitos e forças: objetos da história das ciências segundo Canguilhem e Latour 39
3. Método em SalomontBayer, Jacob e Latour 51
Parte II- Vitalismo, Epistemologia e Arqueologia
4. Formas de valoração do vitalismo 77
5. Pasteur e a microbilogia 83
6. Vitalismo e constituição da biologia segundo Jacob, Canguilhem e Foucault 105
7. Filosofia, ciência e vida no pensamento de Canguilhem 127
Parte III- Vida, Arqueologia e Genealogia
8. Formas de investigação da vida no pensamento de Foucault 141
9. Descartes e a experiência da ordem na arqueologia 163
10. Representação e constituição do objeto na arqueologia 179
11. Ordem biológic, poder disciplinar e normalização 195
Dos ensaios sobre Epistemiologia, Arqueologia e Genealogia 221
Apêndices
1. Vida, genealogia da ética e estética da existência 227
2. Governamentalidade e cuidado de si 237
Referências 253